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ARTIGOS

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

SOBRE IDEOLOGIAS

É um dos conteúdos mais instigantes das ciências humanas. Extrapola as fronteiras da Filosofia, História, da Geografia, da Pedagogia, da Sociologia e essas fronteiras ultrapassadas, muitas vezes, geram entendimentos polêmicos e sempre passíveis de debate. O primeiro passo deve ser entender os conceitos de ideologia e suas contradições. Esse entendimento possibilitará uma abordagem mais ampla e diversa de possibilidades.

Você já teve que comparecer a um enterro e foi avisado/a que não deveria usar o celular e “mostrar respeito” aos parentes de quem faleceu? Já presenciou situações em que o tipo de roupa que você deveria usar não tinha em seu guarda-roupa e o aluguel foi a opção para poder comparecer? Se a resposta foi afirmativa, então você sabe como ideologias se caracterizam.

Ideologias prescrevem normas, ou seja, dizem como devemos ou não devemos agir e, também, estabelecem sanções tanto explícitas quanto implícitas e as punições para as normas descumpridas, sendo estas as que afetam a manutenção da harmonia social pretendida. Nesta perspectiva, ideologia é o conjunto de ideias que organizam visões de mundo, atribuem sentido à realidade em que se vive. Tornam possível, enfim, a socialização.

Mas a vida em sociedade se caracteriza por contradições, como, por exemplo, riqueza e pobreza e estas contradições também são marcadas por conteúdo ideológico. Este justificará a legitimidade da propriedade de uns e o fato de outros não a terem. Essa justificativa deve garantir a manutenção da propriedade e a aceitação por parte de quem não tem que os motivos de não terem são, por assim dizer, justos.

O ponto é que, em muitas situações, a propriedade é conseguida por meios que não se caracterizam por serem justos e, sendo sabidos, podem produzir revoltas, sedições, reivindicações de mudanças. É quando há necessidade de ideias, de outras explicações, argumentos que impeçam as revoltas e façam a ordem social ser restaurada ou mesmo mantida. Aqui a ideologia é o mascaramento da realidade que garante a naturalização das desigualdades. Karl Marx foi o pensador que desenvolveu com mais profundidade esta perspectiva.


É crucial considerar que a junção das duas perspectivas possibilita um entendimento mais diverso das contradições sociais: para que aconteça a socialização de indivíduos faz-se necessário o mascaramento de alguns aspectos da realidade. A “ordem social” depende da não aparição de determinados aspectos. O que se deve também considerar diz respeito ao uso de ideias, de conjuntos de ideias, de ideologias, que legitimem desigualdades extremas que impeçam o caminho da plena humanização.











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