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ARTIGOS

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pinheirinho e Canudos: permanências na História do Brasil


Quando ouvimos falar de História, pensamos rapidamente em colunas gregas, em dinossauros, em gladiadores romanos ou em múmias egípcias. História é entendida como o estudo do passado e apenas o passado interessa. Tanto que costumo dizer em minhas aulas que toda mulher deveria casar com um historiador, pois quanto mais ela envelhecer, maior será o interesse dele por ela, afinal, adoramos coisas antigas.
                Comentários jocosos a parte, a chamada história recente ou história contemporânea não é estudada em profundidade. Passamos rapidamente pela Era Vargas, mal vemos em sala de aula o período democrático e quando tratamos de ditadura militar é difícil não cair nas lutas estudantis, nos festivais da canção e nas torturas que já foram muito exploradas em seriados e telenovelas. E quando tratamos de período pós ditadura, a chamada Nova República, é que a situação é tão sucinta que pouco se lembra do que aconteceu.
                Pois bem, sempre tento realizar essa ponte entre o que passou e o que temos agora. A partir de minha experiência trabalhando com ensino de História através de eixos temáticos, busco tratar os temas a partir da busca por semelhanças e diferenças e de mudanças e permanências entre tempos e lugares, diversos ou não.
                O recente ataque das forças militares contra Pinheirinho demonstra uma série de semelhanças e permanências na maneira de agir das forças que deveriam garantir a segurança e o bem-estar de todos com um outro momento da história do Brasil, a Primeira República, especificamente a guerra movida contra o arraial de Canudos entre 1893 e 1897.
                Truculência, desmandos, carteiradas aconteceram e não foram mostradas pela grande mídia. Um certo telejornal, o Nacional,  afirmou que os moradores de Pinheirinho foram orientados a ficar lá no dia da realização do despejo. Vale notar que vários moradores prestaram depoimentos e nenhum mencionou tal situação.
                Durante a república velha, especificamente a república das oligarquias, na região do Vaza-Barris, na Bahia,  ações tão violentas quanto as realizadas contra Pinheirinho ocorreram. Entraram para a história oficial do Brasil como guerra de canudos. Antonio Conselheiro foi a liderança dos que resistiam. Milhares morreram.

Massacre de Pinheirinho
                Tanto num quanto noutro momento histórico podemos perceber que a violência esteve presente. Tanto num quanto noutro a desocupação da terra era realizada para atender aos interesses de grupos que historicamente estão nas melhores posições sociais, usufruindo de privilégios os mais diversos. Hoje, busca-se atender aos interesses da especulação imobiliária que não quer “pobres” em “seus” locais de construção de moradias. Nos fins do século XIX, não se queria uma fazenda ocupada provando que um outro mundo é possível, uma outra organização econômica pode ser efetivada, que a exploração dos donos de terra poderia ser questionada e negada. A realidade não era impossível de mudar.
                E se quisermos podemos lembrar da revolta da Vacina (1904), que também esteve relacionada, entre outros motivos, ao processo de modernização da cidade do Rio de Janeiro.
                Não é que a história se repita, mas há permanências nas ações humanas no tempo que têm que ser identificadas. E além de identificadas, problematizadas. História não é para trazer esperanças, mas para levar a questionamentos e até ações.
                Se conseguirmos identificar a quem serve a manutenção de tal estado vigente, poderemos elaborar ações para muda-lo, ações que sejam diversas das que foram realizadas antes e não deram o resultado esperado. Neste aspecto a história pode ser o que Cícero afirmou, a mestra da vida, guiando ações de transformação social.

Assista documentário acerca da desocupação de Pinheirinho e pense fora da caixa.



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Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.

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